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Colibacilose Aviária: Prejuízos à cadeia produtiva de ponta a ponta

O aumento na procura de carne de frango e ovos por parte dos consumidores no Brasil e no mundo, reflete em uma maior pressão aos meios produtivos em otimizar o nível de eficiência e produtividade nos sistemas de criação, por outro lado, existe uma demanda global intensa na redução de antibióticos como promotores de crescimento assim como medidas de biossegurança mais eficazes para o controle de patógenos. 

Tratando-se de uma atividade exercida em escala industrial, a prevenção de doenças e a adoção de medidas de biosseguridade devem ser redobrados, pois qualquer patógeno indesejado tem o potencial de representar a mortalidade de todo um lote.

As infecções causadas por E.coli são comumente chamadas de Colibacilose, sendo conhecida mundialmente e considerada uma das principais doenças da indústria avícola moderna, devido aos grandes prejuízos econômicos causados (FERREIRA e KNOBL,2009).

A doença pode ser tanto localizada quanto sistêmica, causada pela bactéria Escherichia coli. A maioria das infecções por E. coli patogênica em aves (APEC) são extra-intestinais, também conhecidas como ExPEC. Porém isso não quer dizer que infecções intestinais não aconteçam.

Tem grande importância econômica, pois está entre as principais causas de condenações em abatedouros. Neste contexto também permite a entrada de outras bactérias e vírus principalmente.

🟦 Prevenção

A separação dos animais, ao primeiro sinal da doença, é uma tática fundamental para evitar a disseminação da doença entre o plantel. Os animais devem ser alojados em grupos de idade semelhante.

Além disso, recomenda-se a remoção diária das fezes dos animais, bem como a desinfecção do local em que estavam. A desinfecção pode ainda ser expandida periodicamente para os insumos da cadeia de produção e local onde esses animais vivem.

🟩 Tratamento

Vários antimicrobianos podem ser utilizados no tratamento de colibacilose, como por exemplo, tetraciclina, cloranfenicol, ampicilina, neomicina, nitrofuranos, gentamicina sulfa/trimetropim, ácido nalidíxico, espectinomicina, sulfas e fluoroquinolonas (BACK, 2010).

Recomenda-se também a fluidoterapia intensa com reposição eletrolítica e ácido básico. O uso de antibioticoterapia nesses casos é um tanto quanto questionável, visto que a maioria dos fármacos não são seletivos exclusivamente para as cepas de Escherichia coli patogênicas, seu uso, portanto, pode gerar desarmonia da flora natural do animal e agravar os sinais clínicos.

Figura 1 : Fígados com Colibacilose

Figura 2: Colibacillosis nos pulmões, sequelas de ascite em frangos

Fiigua 3: Alterações e lesões por colibacilose

🟧 O que diz o Veterinário?

A Escherichia coli é um habitante normal do trato digestivo das aves e pode permanecer nelas e no meio ambiente sem causar problemas, mas durante certas fases da produção aparecem sinais e lesões causadas por esse patógeno. A colibacilose é uma das principais causas de morbidade e mortalidade causando enormes perdas em todo o mundo, tanto na produção de frangos quanto na produção de ovos, ocorre tanto no inverno quanto no verão e está associada à mortalidade precoce nas granjas em decorrência da falta de higiene na incubadora causando mortes durante os primeiros dias de vida do pintinho devido a onfalite e infecção do saco vitelino. 

Também é considerado como fator secundário após um processo respiratório causado por vírus como doença de Newcastle, bronquite infecciosa, laringotraqueíte e pneumovírus, um fator complicador da doença respiratória crônica por micoplasma e é o principal patógeno envolvido na mortalidade por peritonite em galinhas poedeiras.

Nenhuma cepa de Escherichia coli é capaz de causar um processo infeccioso na ave, ela deve ter a capacidade de migrar do intestino (infecções extra-intestinais) e atender a características específicas que lhe permitam contornar as defesas do hospedeiro, se multiplicar rapidamente e causar danos, são conhecidos como fatores de virulência e as cepas que permanecem no meio para serem consideradas patogênicas também devem possuí-los.

Os fatores de virulência da Escherichia coli são muito amplos e vários deles precisam estar presentes para desenvolver um quadro clínico que também deve estar associado a fatores determinantes (presença de mycoplasma synoviae) fatores predisponentes (vírus respiratórios de campo ou vacinais) e também situações de estresse na ave.

Podemos dizer que a Colibacilose em geral é uma das principais ameaças no setor avícola, pois comumente a bactéria E. coli é o agente complicador usual de qualquer condição, seja de origem física (amônia, poeira, etc.), viral. ( bronquite, pneumovírus, ORT, Newcastle, etc.) ou por micoplasmas, que atuam como facilitadores da via de entrada do coli. Bem como casos em que E.coli é o fator principal per se.

Vemos o impacto por meio da mortalidade, a necessidade de tratamentos (cada vez mais restritos), apreensões em abatedouros, aumentos nas taxas de conversão, etc.

Embora haja uma crença geral de que os sorotipos estão diretamente ligados à patogenicidade de uma cepa, é necessário esclarecer que a sorotipagem apenas identifica a E.coli do ponto de vista antigênico, com base nos antígenos O (somático) e H (flagelar), sem indicar per se quaisquer características de patogenicidade.

É por esse mesmo motivo que atualmente, para nos referirmos à patogenicidade, falamos de cepas APEC (por sua sigla em inglês de “Avian Pathogenic E.coli”), que são identificadas pela presença de um determinado número de genes ou fatores de virulência, conferindo à bactéria, a grosso modo, a capacidade de invadir e sobreviver no organismo hospedeiro.

FONTES DE PESQUISA: Fonte 1 | Fonte 2 Fonte 3Fonte 4 | Fonte 5

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