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Estiagem e fim da Tarifa Rural Noturna no Paraná: Que caminho seguirá a avicultura?

É de conhecimento de todos que em uma propriedade rural, um bom funcionamento da energia elétrica é fundamental e possui uma alta demanda. Na avicultura, o consumo de energia está fortemente associado ao bem-estar animal, ambiência e boas condições de conforto na granja. As frequentes mudanças de temperatura e o calor excessivo estão muitas vezes ligados ao aumento da mortalidade do lote e perda da produtividade. Assim, a energia em seu pleno funcionamento, é um grande aliado do produtor.

No Paraná, o governo do Estado atualmente tem uma parceria com uma parcela de produtores onde subsidia uma parte da energia utilizada entre os horários de 21h30 até 6h, gerando um desconto de até 60% na cobrança da fatura. Em uma nova decisão administrativa, foi firmada a suspensão do benefício a partir do final do ano ano de 2022.

Esta decisão tem reflexos ainda mais intensos pelo fato de o país estar atravessando uma das maiores crises hídricas da história, onde os níveis da água dos reservatórios das usinas hidroelétricas não atingem o nível mínimo para a geração de energia, obrigando assim o uso de outras fontes mais caras de geração de energia, como é o caso das usinas termoelétricas.

Toda mudança gera um debate sobre novas soluções, afinal, o aumento de tarifa energética tem peso significativo no lucro final da empresa/negócio, levando em consideração que na avicultura, por exemplo, a energia elétrica representa cerca de 20% dos custos. Em consequência, surgiram avaliações sobre o uso da energia solar no agronegócio. 

Afinal, o que é energia sola fotovoltaica?

A energia solar, como o nome sugere, é criada através da luz solar. Existem sistemas, em formato de placas que captam a luz do sol e transformam a radiação solar em energia através de um inversor, aparelho responsável por adaptar a movimentação dos elétrons gerados nas placas para características semelhantes com as que já utilizamos na rede elétrica proporcionada pela concessionária local. Sendo assim, as placas fotovoltaicas podem facilmente ser instaladas e se adaptar em granjas (nos telhados ou áreas livres no solo). 

O número de unidades de painéis solares, tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais e industriais, cresceu 50% da participação na geração distribuída este ano na comparação com 2020.

Segundo dados do Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL), a geração distribuída tinha, no final de 2020, 517 mil unidades participantes (5 GW). Hoje, já são 781 mil (7,1 GW). Ou seja, a energia gerada passou de cinco para sete gigawatts.

E quais as vantagens no investimento nesse sistema? 

  • Economia de energia: uma das melhores vantagens, a economia pode chegar entre 95% até 99% nos gastos com contas de luz;
  • Sistema sustentável e funcional: como o Brasil possui grande incidência solar natural, não há excesso no uso de recursos finitos, como é o caso das hidrelétricas. É uma fonte limpa, inesgotável e com impacto ambiental mínimo;
  • Investimento que se paga em curto prazo: dependendo da infraestrutura do sistema e quantidade de placas, o investimento inicial pode ser de valor alto. Porém, estatísticas demonstram que a economia nas tarifas de energia se “pagam” em pouquíssimo período;
  • Créditos de energia: durante o dia, a energia consumida e seu excedente é injetado na rede que abastece a região. Durante a noite, quando o gasto costuma ser mais elevado, o consumo é provido pela concessionária de distribuição. Ao fim do mês, só será cobrado o que foi utilizado com desconto do que foi produzido pelo sistema fotovoltaico. Em casos em que a energia gerada na propriedade for maior do que o consumo, o excedente será convertido em créditos de energia solar, medidos em kWh, válidos por 60 meses. Podendo ser utilizados durante épocas de baixa incidência solar (inverno) ou redirecionadas para outros imóveis;
  • Liberdade de ajustes e bandeiras tarifárias: a energia elétrica tradicional gerada pelas concessionárias é refém dos reajustes acima da inflação. A energia solar não entra nesse parâmetro, sendo totalmente independente das bandeiras tarifárias, que normalmente são aplicadas quando o país tem dificuldade ou insuficiência em gerar energia suficiente para atender os consumidores (estamos atravessando neste ano situações extremas relacionadas ao clima seco, inclusive altas nas contas de luz e racionamentos de água). Quem opta pela produção própria de energia paga apenas a tarifa mínima. 
 

Desafios e entraves

  • Vencer o lobby das companhias de distribuição que tem o interesse em vender energia, em vez de permitir a sua própria produção de energia elétrica a partir da luz do sol;
  • Não pode ser usada durante a noite;
  • Para armazenar a energia solar, é necessário o uso de baterias, o que pode encarecer o custo do sistema fotovoltaico como um todo.
 

Parâmetros do uso de energia solar no Brasil e perspectivas:

A energia solar no Brasil representa menos de 2% de toda a matriz energética, porém, o número de sistemas fotovoltaicos instalados no território brasileiro tem crescido consideravelmente, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste do país.

O número de unidades de painéis solares, tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais e industriais, cresceu 50% da participação na geração distribuída este ano na comparação com 2020.

Para se ter uma ideia, a geração distribuída tinha, no final de 2020, 517 mil unidades participantes (5 GW). Hoje, já são 781 mil (7,1 GW). Ou seja, a energia gerada passou de cinco para sete gigawatts.

A projeção do INEL é que até 2030 o Brasil tenha mais de 35 gigawatts de potência na geração distribuída. Isso representa cinco vezes mais do que é gerado hoje, com mais de 3,8 milhões de geradores, incluídos casas, comércios, indústrias.

O uso da energia solar no Brasil corresponde a aproximadamente 2% de toda a matriz energética brasileira, sendo a energia solar residencial responsável por 72,6% do montante, seguida por empresas de comércio e serviços (17,99%) e pela energia solar rural (6,25%). Ou seja, a energia solar rural ainda está se desenvolvendo e a tendência é que estes números cresçam. 

A energia solar no Brasil está localizada, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Paraná, Mato Grosso, Pernambuco e Goiás também compõem a lista, porém têm geração de energia menor do que os outros citados.

Por fim, a energia solar tende a ser uma excelente alternativa para a geração de energia na produção agrícola em geral e principalmente na avicultura. As empresas estão cada vez mais investindo em recursos e auxílio na hora de adquirir o sistema e de instruir com informações completas, avaliando seu consumo e seus objetivos. 

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